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MONITORAMENTO DE MERCADO

O desempenho recente da celulose brasileira no mercado internacional

Posted by Marcelo Schmid on 21 Abril 2017

Segundo um boletim recentemente publicado pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), associação responsável pela representação institucional da cadeia produtiva de árvores plantadas no Brasil, durante o primeiro bimestre de 2017 o Brasil exportou 2,3 milhões de toneladas de celulose, representando uma alta de 3,4% em relação ao mesmo período de 2016, quando o volume exportado foi de 2,2 milhões. Porém, paradoxalmente, a receita das exportações neste período foi de 971 milhões de dólares, contra 1.068 milhões de dólares de receita no mesmo período de 2016 (figura 01).

Brazil_Apr1.pngFonte: Ibá e Forest2Market do Brasil

Figura 01. Exportação de celulose pelo Brasil no primeiro bimestre de 2016 e 2017: volume x receita.

 

Em outros segmentos, como por exemplo, painéis de madeira, o aumento do volume exportado (40,3%) foi acompanhado de um expressivo crescimento da receita (21,9%). No segmento de papéis, da mesma forma, nos dois primeiros meses de 2017 houve aumento de 6% em relação ao volume exportado no mesmo período de 2016 e um acréscimo na receita de 0,3%.

O fenômeno observado na exportação de celulose brasileira do primeiro bimestre de 2017 (acréscimo no volume e redução na receita) representa a manutenção da tendência do ano passado, acompanhada atentamente pela Forest2Market do Brasil. A figura 02 apresenta a evolução das exportações de celulose brasileira nos últimos 10 anos, considerando volume e receita. Embora o volume seja crescente, com alguns picos de crescimento entre um ano e outro, se observa que a receita nem sempre acompanha a mesma tendência.

 

Brazil_Apr2.pngFonte: Ibá e Forest2Market do Brasil

Figura 02. Exportação de celulose pelo Brasil nos últimos dez anos: volume x receita

 

Analisando o gráfico mais detalhadamente, se destacam três anos nos quais as a receita perdeu o compasso do volume exportado: 2009, 2012 e, de forma menos acentuada, 2016. A razão para tal queda pode ser visualizada quando adicionamos ao gráfico o preço da celulose. A figura 03 apresenta a mesma evolução das exportações de celulose brasileira nos últimos 10 anos, porém considerando volume, receita e um indicativo de preço. O indicativo escolhido para essa análise foi o preço médio anual da celulose de fibra curta, principal tipo de celulose exportada pelo Brasil, pago pelo mercado europeu, principal mercado consumidor da celulose brasileira.

Brazil_Apr3.pngFonte: Ibá, FOEX e Forest2Market do Brasil

Figura 03. Exportação de celulose pelo Brasil nos últimos dez anos: volume x receita x preço médio da celulose de fibra curta para a Europa

 

Em 2009 a crise econômica mundial afetou severamente vários mercados, o que motivou a queda sensível do preço, mesmo com a exportação crescendo significativamente em relação a 2008, houve queda significativa de receita. Entre os anos de 2009 e 2012 observou-se uma quase estagnação no volume exportado de celulose (taxa de crescimento de apenas 3,8% nesses 04 anos). Mesmo estando o volume exportado estagnado, em 2010 a receita da exportação teve um expressivo salto de 43%, graças à evolução do preço médio da celulose, de 49%. A manutenção da estagnação, porém, combinada à baixa do preço médio, levou à redução na receita em 2012.

Já no ano de 2014 uma nova queda do preço médio da celulose foi observada, queda essa compensada com um aumento de 13,7% no volume exportado e aumento de 3,4% na receita. Finalmente, em 2016, o preço médio da celulose no mercado europeu sofreu queda ainda mais severa, mantendo a tendência de queda de preços de outros mercados consumidores da celulose brasileira, como a China. Neste ano, a exemplo de 2014, o setor de celulose teve que se esforçar para tentar compensar o prejuízo pela queda no preço da celulose com um grande salto na exportação: em 2016 o país exportou 18,1% a mais do que 2015, porém, o aumento do volume não foi capaz de compensar a queda no preço, uma vez que a receita foi 0,5% inferior ao ano anterior.

Os dados analisados refletem o recente descompasso do preço da celulose no mercado internacional e a insatisfação das principais empresas brasileiras do setor nos últimos anos.   Não à toa, no mês de janeiro deste ano a empresa Fibria, maior fabricante mundial de celulose de eucalipto, anunciou um aumento de preço de US$ 30 por tonelada em sua celulose, válido a partir de Fevereiro deste ano, sendo que o novo preço de venda para o mercado europeu ficou em US$ 710 por tonelada.

Seguindo a mesma linha, a Suzano Papel e Celulose, outra gigante do setor, também anunciou aumento do preço da celulose no início do ano, aumento esse válido para todos os mercados onde atua, atingindo os mesmos US$ 710 por tonelada no mercado europeu. Mais recentemente, a empresa anunciou outros três aumentos de preço, destacando entender que o momento é positivo para a recuperação da receita perdida no ano passado por várias razões, entre elas o ritmo de operação mais lento do que o esperado na primeira linha da OKI, a nova fábrica da Asia Pulp & Paper na Indonésia (com dois milhões de toneladas de capacidade produtiva, podendo chegar a 3,2 milhões segundo a empresa).  Outras empresas de celulose no Brasil também anunciaram aumentos, como é praxe no mercado de celulose.

Aguardemos o resultado do próximo bimestre após o final de abril pra ver se os aumentos promovidos pelas empresas de celulose promoverão um equilíbrio entre o volume exportado e a receita. Afinal, as exportações de celulose – mesmo com um cenário recente de preços no mercado global desfavorável – respondem por 4,1% da pauta das exportações brasileiras. Além disso, o consumo de produtos derivados da celulose no mundo é crescente, ou seja, trata-se de uma commodity extremamente importante para a economia brasileira cujo potencial de crescimento é evidente.

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Topics: setor florestal brasileiro, cadeias produtivas florestais, economia florestal

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